sábado, 13 de fevereiro de 2016

Filosofia: um esboço em homenagem à Germinadora


Nascida na antiga Grécia, a Filosofia (literalmente, “amiga do saber”) pode ser vista como uma reação ao império das superstições e à crença cega nos dogmas religiosos, que, por estarem tão enraizados no modo de pensar vigente, constituíam um entrave ao desenvolvimento do intelecto. Não há, aqui, uma crítica à Religião em si, mas à estagnação intelectual derivada da ausência de questionamentos: tudo deve passar pelo crivo da razão. O ser humano nasceu para exercitar e desenvolver o raciocínio, sendo um desperdício – senão uma violência – privá-lo desta admirável capacidade.

O escopo dos filósofos é amplo e, embora possam divergir em seus focos de estudo (e, sobretudo, em suas premissas e linhas de raciocínio), pode-se afirmar que têm por intuito, em suma, compreender tudo que existe à nossa volta e de que forma nós, humanos, nos inserimos neste Todo (o escritor Douglas Adams, em uma ficção científica cômica, resume com sagacidade o que buscavam – e continuam a buscar – compreender: “A Vida, o Universo e Tudo Mais”). Para alcançar tal nível de discernimento, os primeiros filósofos notaram a necessidade de romper com o condicionamento mental da época e fomentar o desenvolvimento do raciocínio – não apenas o próprio raciocínio, mas também o de seus discípulos.

Embora não tenham [obviamente] chegado à conclusão de que o sentido da vida é “42” (como na obra de Adams), sua ousadia na busca pelo Saber constituiu um importantíssimo marco na História da Civilização. A partir de então, o ser humano notou-se capaz de formar ideias e conceitos, de desenvolver seu senso crítico, descobrindo o prazer de atingir novos níveis de pensamento e a importância de buscar respostas – suas próprias respostas, aquelas que satisfazem seu intelecto, não aquelas impostas pelo 'status quo'. Não me parece exagero dizer que o surgimento da Filosofia foi o embrião da verdadeira racionalidade, abrindo alas até mesmo para o amadurecimento de uma área do conhecimento que veio a ser designada "Ciência" e que se tornou essencial ao desenvolvimento da Humanidade (além de nos fornecer, pouco a pouco, algumas das tão almejadas respostas). Aliás, os filósofos conhecidos como “atomistas” formularam uma tese cuja veracidade séculos mais tarde foi comprovada pelos cientistas.

Filósofos são, assim, lançadores de sementes, instigadores do raciocínio; Filosofia, a seara onde o raciocínio se desenvolve, de forma a muitas vezes estimular o aprofundamento do tema por outros ramos do conhecimento. Ela é uma germinadora por excelência.

Quando se fala em metafísica e epistemologia, ou mesmo em lógica, fala-se, em verdade, em alguns dos ramos da Filosofia. Ela é território vasto: seus braços se alongam até questões atinentes à ética, estética e política, bem como ao escorreito uso da linguagem (sempre importante, porém absolutamente imprescindível quando se pretende apresentar conceitos inovadores).

Aventurem-se por este território – é o que estou principiando a fazer. Por esta razão, perdoem-me por eventuais equívocos ou exageros: este texto é apenas um esboço. Um esboço de alguém que, embora esteja iniciando o estudo da Filosofia, já se apaixonou por ela.


(*) Texto inspirado sobretudo na leitura da obra O Livro da Filosofia (Globo Livros, Vários Colaboradores)

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