sábado, 17 de novembro de 2012

Nazareth: Um caso para o Guinness Book?


Texto: Ricardo Guilherme dos Santos
Fotos: Jornal Extra de Pernambuco e site O Vale do Ribeira


Isto não é uma biografia. Uma biografia pressupõe, creio eu, que se discorra de forma minuciosa sobre todas as etapas da trajetória de um artista. O que esta matéria pretende é trazer um resumo sobre a trajetória do NAZARETH, com destaque à longevidade da banda e a algumas das apresentações mais recentes no Brasil. Um texto relativamente curto, porém repleto de links para aqueles que quiserem se aprofundar nos temas abordados, e/ou conhecer um pouco mais do trabalho do grupo.



São quarenta e quatro anos de carreira. Isto, é claro, sem contar os anos anteriores a 1968, quando Dan McCafferty, Pete Agnew e o falecido Darrel Sweet tocavam juntos na The Shadettes, fundada por Pete em 1961.

Durante este longo período, muitos altos e baixos e uma persistência invejável têm marcado a carreira destes escoceses nascidos em Dunfermline, antiga capital da Escócia (apenas o guitarrista Jimmy Murrison nasceu em outra cidade – Aberdeen). Mas o NAZARETH traz em sua bagagem outras marcas registradas: uma quantidade impressionante de shows realizados (talvez, até, um caso para o “Guinness Book”) e um inquestionável profissionalismo.

O número total de apresentações da banda nunca foi divulgado, mas quem acompanha a trajetória do NAZARETH sabe que o grupo há décadas tem o hábito de se apresentar quase diariamente, em turnês “intermináveis”. Férias da estrada, quando muito, apenas um mês a cada ano. Uma rotina que deve exigir muito da saúde de seus músicos mais antigos (especialmente do sistema respiratório de Dan McCafferty), mas que eleva o longevo grupo ao patamar de possível recordista em número de apresentações ao vivo.

Na atual turnê pelo Brasil, após apresentações bem sucedidas em Apucarana e Toledo, houve um incidente em Campo Mourão que arranhou a imagem da banda. O NAZARETH passou por momentos muito difíceis até ter a oportunidade de dar a sua versão sobre o ocorrido. O jornal Gazeta do Povo, inclusive, publicou uma matéria informando que o grupo estaria cogitando processar a casa de shows onde o espetáculo deveria ocorrer.

Depois deste episódio, tudo o que seus integrantes esperavam era uma oportunidade para lavar a alma. E ela surgiu num lugar a princípio improvável para uma banda de rock: uma cidade conhecida como “a Capital do Forró”.

Pelo que pude verificar em minhas pesquisas na internet, os roqueiros de Caruaru receberam o NAZARETH de braços abertos e os escoceses não desperdiçaram a oportunidade para dar a volta por cima. A banda subiu no palco do Agreste in Rock por volta da meia noite e – disto não tenho dúvidas – fez um grande show. As fotos postadas no Jornal Extra de Pernambuco mostram um público animado, Dan muito concentrado e Pete exibindo sorrisos. No Facebook do evento e em sites pernambucanos de rock encontram-se vários comentários positivos sobre a apresentação do quarteto. Por certo, foi uma noite especial para todos.

(fotos: Nazareth em Caruaru, 15.11.2012 - por Jornal Extra de Pernambuco)

O NAZARETH é uma banda tradicional, um dos maiores ícones da história do rock. Tem composições clássicas, nos mais variados estilos. Dentre elas, podemos encontrar:







O grupo é também um especialista em fazer inesquecíveis versões para clássicos de outros artistas.

Este quarteto escocês é respeitado e, até mesmo, idolatrado por outras lendas do rock. Ainda assim, seus integrantes são humildes e simpáticos. Eles não se importam de se apresentar em locais pequenos; basta que os materiais e equipamentos previamente solicitados lhes sejam fornecidos. E não são grandes exigências, sobretudo quando comparadas a outras bandas do mesmo nível.

Mas, é claro, os fãs preferem ver seus ídolos apresentando-se para grandes públicos. Os músicos, por sua vez, sentem-se mais felizes diante de multidões. Foi o que ocorreu, por exemplo, no show realizado para cerca de trinta mil pessoas, no início desteano, na cidade de Ilha Comprida. Dan McCafferty e Pete Agnew – os heróis de Dunfermline – merecem este reconhecimento do público, já que a mídia nunca lhes deu muita atenção.

Em Macaé (24/11/2012), o grupo voltou a tocar ao ar livre. Não sei se teve um público tão grande quanto em Ilha Comprida, mas a recepção dos fãs que presenciaram o show da banda no XII Macaé em Duas Rodas também foi muito calorosa:


É o NAZARETH de volta às trincheiras.

E em grande estilo, como um autêntico Deus da Montanha!


A dúvida, no entanto, permanece: quantas apresentações ao vivo o NAZARETH terá realizado ao longo de sua carreira? Será que a banda tem uma contabilidade disso?

Seria interessante saber.

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